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ANTROPOSOFIA
 
 
As Novas Perspectivas do Conhecimento
 
Rudolf Steiner(1861-1925) apresentou entre 1886 e 1925 uma forma de observar e entender o mundo e o homem, ou seja, uma cosmovisão que ele mesmo, depois de 1904, passou a chamar de Antroposofia. O termo Antroposofia* já estava sendo usado antes de Rudolf Steiner por outros filósofos no século XIX, contudo, para designar concepções diferentes. Característico por essa Antroposofia apresentada por Rudolf Steiner são alguns pontos, que podem ser explicitados da seguinte maneira.
      
1. A Antroposofia descreve o que chamamos de realidade como diferenciada em várias camadas (planos), sendo que o campo físico, o mundo que observamos através de nossos sentidos, é apenas um deles. Portanto, a realidade, nessa visão, não se restringe aos fenômenos físicos; ela engloba, além disso, entidades e processos mentais e psíquicos que são de seu modo tão reais como plantas e pedras. A observação comum do ser humano, restrita ao mundo dos sentidos físicos, conhece, porém, apenas os objetos do plano material. Esse nível de consciência o ser humano possui em virtude da evolução natural. Os outros aspectos da realidades, os planos mentais e espirituais (noosfera), podem se tornar apenas accessível a uma forma de observação a ser desenvolvida intencionalmente. Essa observação ampliada efetua-se só através de procedimentos e exercícios internos, que tem o pensar racional como seu ponto de partida.
  
2. A observação ampliada é simplesmente uma continuação daquela capacidade de observação da qual o homem dispõe quando percebe cores, tons etc a seu redor mediante os sentido comuns. Como a observação comum pode evoluir para diferentes formas de ciências sistemáticas do mundo físico (física, química, biologia) quando acompanhada de raciocínios lógico e de metodologia experimental, assim, também a observação ampliada pode resultar numa ciência espiritual (noologia). Esse conhecimento noológico, preconizado pela Antroposofia, não é um conhecimento que sobrevêm de repente, assim que se ultrapasse os limites comuns da observação. O progresso é aqui semelhante ao conhecimento referente ao mundo dos sentidos, onde cada passo é um passo e exige minuciosa investigação.
  
3. Por essas características o conhecimento noológico (espiritual) desenvolvido por Rudolf Steiner não recorre a outras fontes que a ciência em geral. Ele tampouco se fundamenta em autoridades do passado ou em algum tipo de inspiração mística no sentido tradicional.
 
4. O tipo de conhecimento descrito modifica, obviamente, a visão do mundo e do homem em geral. Fatos e processos que antes eram vistos apenas sob a ótica física, modificam o seu aspecto. O aspecto físico das coisas não perde, de forma alguma, a sua validade, ou seja, a Antroposofia não declara irreal a realidade manifesta aos sentidos para defender uma visão exclusivamente metafísica, mas ele passa a significar outra coisa. P.e. o organismo do ser humano, que tradicionalmente é visto como um mero conjunto químico complicado, passa a ser considerado, a partir da observação ampliada, como permeado por forças organizadoras e estruturadoras, obviamente invisíveis para os olhos comuns. Esse conjunto de forças, que não devem ser confundidas com magnetismo ou fluídos sublimes ou algo do gênero, constitui um segundo aspecto do ser humano o chamado corpo etérico. E em relação a esse corpo etérico faz sentido distinguir o corpo físico, ou seja, o aspecto do homem manifesto aos sentidos comuns. Existem outros elementos ainda mais superiores e sutis e, em certo sentido, mais reais no homem.
  
Todos esses elementos não são, porém, resultados de uma mera reflexão ou de deduções puramente teóricas mas sim fatos de uma observação ampliada. A observação ampliada fundamenta, desse modo, uma visão do mundo (cosmovisão) na qual a matéria deixa de ser realidade exclusiva, para ser parte de um conjunto maior dentro do qual encontra-se integrada e, nesse sentido, possui uma característica holística.
 
 
5. Antroposofia, de uma forma geral, refere-se, pois, aos fatores espirituais da realidade e compreende a realidade física a partir dos critérios assim adquiridos. Ela procura uma forma de cognição integralizante que abarca os fenômenos físicos e supra-físicos. 

Ela não pode ser uma mera filosofia ou uma teoria espiritualista e muito menos um conjunto de dogmas nos quais é preciso acreditar. Tudo o que é descrito no sentido da Antroposofia tem que ser o resultado de investigação espiritual. Podemos chamar esse tipo de ciência de noologia. 

Freqüentemente acontece, porém, que a Antroposofia é taxada de religião e, não raras vezes, pessoas, que se sentem próximas da Antroposofia, contribuem para tal visão, seja por ignorância ou, por vezes, até porque de fato tomam a Antroposofia nesse sentido.
 
Por outro lado, ainda hoje, aqueles que se consideram os verdadeiros cientistas (os físicos, biólogos e químicos etc. que ocupam as cadeiras nas universidades) sustentam rigorosamente a divisão defendida pelo filósofo Kant (século XIIX): que as questões referentes a Deus, alma e liberdade não são racionalmente, i.é., cientificamente solucionáveis.
 
 Ciência seria uma forma de raciocínio que se baseia em dados empíricos passíveis de uma descrição matemática e quantitativa e se restringe à realidade dada a esses. Qualquer tentativa de transcender a experiência (dos sentidos) estaria, segundo essa visão, de antemão fadada ao fracasso. Somente pode produzir devaneios e delírios distantes de qualquer conhecimento sério. Como no mundo dos sentidos, sob forma de dados quantificáveis, não se encontram fatos "espirituais" e muito menos uma alma ou um Deus, estas questões são excluídas do campo da ciência. Isso não significa que a ciência no sentido comum prove a não-existência de fatores espirituais, porém, ela não tem muita razão de admitir a sua existência no mundo.
 
É difícil imaginar algo mais hermético que a postura materialista. Ela parece teoricamente tão bem fundamentada porque se apoia num fato constitucional do ser humano moderno: a consciência objetal que desperta a partir da observação dos dados sensoriais. Por isso é difícil convencer alguém ou a si mesmo, simplesmente por argumentos, de abandonar o materialismo e mesmo muitos daqueles, que alegam ter simplesmente superado o materialismo, não passam de meros simpatizantes intelectuais de uma consciência espiritual. Admitem fatores espirituais na realidade mas não são capazes de observá-los, são materialistas mas não querem admití-lo. Essa atitude materialista na ciência empurra tudo o que se esquiva à observação comum e à conceituação matemática para o campo do irracionalismo.
 
De antemão, aquele que se refere a algo espiritual, parece estar fora da racionalidade, ou seja, dizendo algo apenas porque decidiu acreditar ou aderir a uma seita que exige de seus membros certas convicções. Por outro lado, tudo o que é ficção, mas não abandona a forma de imaginação sensorial, pode projetar as coisas mais absurdas, como de fato acontece nos filmes de ficção científica que influenciam em ampla escala a consciência da atual humanidade, sem ser considerado irracional no mesmo sentido. Aliás, a tendência de se afastar das vivências comuns e mergulhar no chamado cyberspace, que nada mais é senão um mundo de imagens evocadas por meios eletrônicos, é cada vez mais comum. Tem-se aí a sensação de transcender-se as barreiras de espaço e tempo, porém, com todo o conforto e sem precisar transformar de fato com força mental própria a forma de imaginação. Essa tendência assinala, sem bem que de maneira bastante problemática, a vontade irresistível da humanidade moderna de sair do comum, superar a natureza e criar uma realidade nova.
 
O único meio de superar realmente o materialismo é um ato de vontade. Essa vontade nasce do descontentamento diante dos meios da ciência comum a chegar a respostas satisfatórias acerca do enigma da existência humana e exige o esforço e o exercício contínuos de querer ampliar a observação e de aprimorar os meios de cognição mental.
 
A dúvida mais freqüente que pode acometer o homem nessa transição é, porém, se porventura não esteja apenas forçando a visão de algo espiritual, que esteja aceitando fatores espirituais, na realidade, por força de sugestão ou insinuação e não por cognição. Essa dúvida somente desaparece quando se encontra um campo de experiências internas no qual conceitos e pensamentos são vivenciados idependentemente de percepções externas e livres de qualquer coação, porque surgem mediante atividade livre. Esse campo é o campo do pensar intuitivo.
 
A descoberta da capacidade de percepção ativa de um conteúdo ordenado em si mesmo no âmbito do pensar intuitivo é a experiência espiritual básica que dá início a um caminho que conduz à cognição espiritualmente ampliada.
 
***Quem adota um ideário espiritual, seja pelo estudo da Antroposofia ou de outras fontes**** , sem desenvolver essa capacidade, permanece ou torna-se crente de algo que no fundo não perscruta. Quem permanece preso ao ideário materialista das ciências tradicionais não tem outra alternativa para aceitar algo espiritual a não ser como uma crença em conteúdos revelados e apoiados pela autoridade ou como superstição.***** A Antroposofia enfrenta, como se vê, uma situação difícil em nosso século, porque não é nem religião e tampouco ciência no sentido comum
 
A probabilidade de equívoco na compreensão de seu enfoque é grande, visto que ela sugere uma tarefa muito radical e contrária às tradições vigentes: entrar no âmbito das questões tradicionalmente descartados pela ciência e reservados às religiões, porém, não por meio de um ato de crença ou referências visionárias obscuras mas sim através da ampliação da atitude científica. Ela exige uma ciência que abdique do dogma materialista e uma abertura para questões do âmbito religiosa que abdique do dogma e da autoridade. E, como se isso não bastasse, ela quebra mais um tabu: ela não aceita qualquer tipo de submissão a um guru na questão espiritual, tendência fortemente arraigada no esoterismo oriental; ela exige, antes de mais nada, a capacidade de auto-condução baseada no pensamento próprio.
 
 Notas
* O termo Antroposofia, que pode ser traduzido por sabedoria do homem, tem um sentido duplo que é importante reparar. Ele pode significar uma sabedoria, i.é., um conhecimento espiritual sobre o homem ,ou um conhecimento espiritual conquistado pelo homem. O primeiro significado me parece problemático, porque as obras antroposóficas de Rudolf Steiner tratam também de outras entidades além do homem e na obra Teosofia, mesmo após várias revisões, é empregado justamente o termo teosofia para aquela parte do conhecimento espiritual que trata da essência do ser humano. A segunda acepção tem a vantagem de ressaltar o caráter moderno da Antroposofia como noologia, porque aponta para um conhecimento que não é dado por revelação e respaldado por uma tradição autoritária, mas sim elaborado pelas forças cognitivas do ser humano.
 
O artigo A grande pergunta de Eurípides de Alcântra na Veja, 7.02.96 p. 72-76 demonstra, apesar de sua intenção de querer insinuar uma certa abertura metafísica nas ciência, na verdade a incapacidade da ciência comum de conhecer alguma coisa sobre as questões espirituais. Aos cientistas, que acreditam ter chegado até os limites de suas ciências, resta apenas a hipótese de uma eventual existência de Deus e especulações que abandonam o campo da experiência sobre fatores supra-físicos.
 
***O pensar intuitivo é o pensar acordado em si mesmo, ou seja, o pensar vivenciado que se desdobra como atividade que engendra conteúdos que apresentam uma ordenação própria. Essa forma de pensar é latente em qualquer ser humano, precisa, porém, de exercício para se tornar efetiva. 3 »A experiência espiritual que vai além dos sentidos comuns precisa ser uma continuação daquela forma de experiência interna que se alcança já na união com o pensar puro.« (Rudolf Steiner, Conhecimento dos mundos superiores p.115.)
 
**** Existem obviamente muitas outras referências espirituais, antes e depois de Rudolf Steiner de caráter e valor muito diversificado.
***** A superstição é uma forma de admitir e imaginar fatores espirituais em analogia à realidade material ou, pelo menos, quantificáveis como vibrações, ondas magnéticas ou magia num sentido vulgar. 
 

Texto de: Marcelo da Veiga
© 1996 
veiga@iaccess.com.br

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